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Artigo de Opinião

Como fazer a diferença nos próximos anos?

04 de Janeiro de 2019


Num ano cujo contexto económico se afigurava como o mais favorável das últimas décadas, foi nos fatores Recrutamento e Atração de Talento que se encontraram as maiores dificuldades para as empresas que atuam na área dos recursos humanos. Estes fatores terão contribuído em muito para o desaceleramento do crescimento verificado, ou seja, o setor dos recursos humanos cresceu, mas a falta mão-de-obra disponível impediu que o ritmo de crescimento ultrapassasse o expectável.

Não se vislumbra que esta condicionante possa ser resolvida a breve trecho, nem tão pouco existe uma solução simples, rápida e eficaz.

O problema é complexo, mexe com a cultura empresarial e com o modo como o trabalho é ou não valorizado, e pode vir a redefinir as estratégias de recrutamento, atração e retenção de colaboradores.

Os fatores pelos quais as pessoas são cativadas e retidas pelas organizações são conhecidos, mas neste contexto talvez seja importante relembrar que quem melhor souber trabalhar o “sentido de propósito” da função, o “sentimento de justiça” e o “foco no desenvolvimento” das pessoas poderá fazer a diferença nos próximos anos,

Importa ainda olharmos para o contexto económico dos nossos vizinhos europeus e, dentro desse âmbito, das mais ou menos valias do nosso país no futuro próximo. Sendo expectável que o valor do ordenado mínimo em Espanha atinja os 900 euros em 2019, alicerçado em preços de energia mais baratos e bens de consumo em linha com os que cá existem, será difícil observar o futuro com um fluxo de migratório minimamente qualificado, como aquele a que assistimos no final da década de 1990 e nos princípios do milénio.

Nessa altura, beneficiamos em muito da mão-de-obra que chegou do leste da Europa e que auxiliou os setores produtivos e nos catapultou para ritmos de crescimento até então raramente observados.

Se compararmos as realidades dos países europeus, e neste caso daqueles que nos são mais próximos geograficamente, a verdade é que não devemos voltar a contar com essa mão-de-obra no futuro.

Ainda que entendamos que a segurança e o clima são fatores de atração de pessoas, essas pessoas geralmente são turistas, não trabalhadores. Os fluxos migratórios têm origem económica e financeira, e nestes aspetos muito há a fazer até que consigamos ser minimamente atrativos.

Observado este panorama, resta-nos colocar a questão: como ultrapassamos as dificuldades de mão-de-obra? Não devem restar muitas dúvidas. De entre todos os fatores de atração e retenção de pessoas, o foco dos próximos dois a três anos será no rendimento disponibilizado.

O crescimento económico raramente tem um efeito perverso na sociedade, senão basta olhar para o custo da habitação e do combustível e reparar que o crescimento dos vencimentos não acompanhado ao mesmo ritmo.

Nunca será condição sine qua non que o vencimento seja garantia de qualidade de recrutamento, mas talvez não tenha havido uma altura da nossa história em que o risco de não levarmos esse tema em consideração pudesse ter tanto impacto nas organizações. O tema é sensível, raramente consensual, mas não haverá melhor altura para, com o auxílio da calculadora, contrabalançar o investimento em remunerações com o custo em turn over.

Por: Ricardo Pires, Diretor Comercial da Talenter™.